quinta-feira, fevereiro 12, 2009

átomo-movimento-sonho

Enquanto eu sonho com a resposta no momento exacto em que a pedi, tu continuas a justificar o desfasamento entre o que eu sonho e o que tu me consegues dar com situações exteriores.
E se esquecesses por uma vez que o mundo gira sem nós, ininterruptamente e que, por isso, é preciso contrariar esse movimento decididamente, para que a justificação, ainda que determinada pelo movimento dos átomos, pelo menos na esfera do consciente fosse tua?

Enquanto tentas convencer-me, pela tua racionalidade, da irracionalidade dos meus desejos absurdos, desprendes de ti qualquer obrigação ancorada de teres que inverter a rota que te é determinada pelo movimento das horas que passam no ponteiro dos relógios do mundo.

(estou aqui, a preparar-te uma prenda. Na verdade, estou sempre a pensar-concretizando prendas-mensagens que revertam a tua inércia e lhe dêem um novo sentido – o de acreditar que os meus sonhos são possíveis se tu quiseres)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

recta paralela

Enquanto espero a música que não me mostraste, ouço o silêncio. Abandonas-me no vazio mais do que sabes e quando sorrio não vês o engano sossegado enterrado.
Se eu não me encontro tu deixas-me ir, sem saber o caminho de regresso a mim. Perdi a corda-fio-condutor da fuga que planeio há tanto tempo. E quando acredito que tudo faz sentido sou empurrada para esta escuridão que não escolho mas que me preenche. E não compreendes porque não sentes com a pele e com as lágrimas o aperto que me persegue.
E não é verdade que há dias melhores. Isto que sinto sou eu e, embora possa sentir de forma diametralmente oposta, serei eu os opostos. Tudo é perfeito hoje e absurdo amanhã. Ontem foi a sensação indefinida dos contrários. E acreditas que apenas existe uma maneira de ver o mundo – preto ou branco – que não posso ser a alegria e o desespero, e acreditar firmemente nisso. Sou e não sou uma coisa e o seu contrário – e sou-o completamente em cada parte de mim.

Hoje acordei cansada, falei alegremente do fim-de-semana e caminhei triste com músicas na cabeça. E nunca parei de pensar. Penso em ti, no teu sorriso, na tua certeza de que eu só posso estar triste quando não estou a sorrir e que, se não penso nisso num momento não posso estar triste.

E sim, às vezes quero ser diferente, noutras gosto de ser capaz de sentir-me assim – experimentar as emoções mais extremas e díspares.

Continuo à procura de mim. E espero que um dia gostes da minha tristeza e deixes de tentar transformá-la num exorcismo essencial à sobrevivência da espécie humana.

Gosto sempre de ti, apesar de tudo, mesmo que me sinta numa recta paralela a ti – observo-te e às tuas reacções – e espero que um dia isto se intersecte. Entretanto és uma visão agradável aos meus olhos que te seguem.

quinta-feira, julho 12, 2007

Obrigada

Há horas de silêncio que queimam os dedos, enquanto as palavras se entranham nos cabelos. Percorres lentamente, na confusão dos sentidos entrelaçados, a minha pele. E nesta busca procuras o reverso de mim. Desesperas, recomeças, grito, esperas, choro, calas. E um abraço. Desfolhas mil vezes o malmequer da tua esperança, e vão caindo, dia-a-dia, cada uma das tentativas desencontradas de mim. E eu, fechada neste vidro invisível, protejo-me da dor que não existe, choro a alegria que foge. Estás tão perto agora. Obrigada.

domingo, março 04, 2007

Regresso

Regressamos. Neste ciclo de contra-danças reencontro-te onde me procuraste. Sonhei-te uma vida e um ideal, sonhei-te verdades pintadas de carmim, como a camélia que trago no peito, nas noites de céu roxo de Lisboa. Nós e a noite, sós, decalcamos desenhos nos passos um do outro. Nós, sós, descobrimos a imensidão de quatro paredes, e o silêncio da multidão, sempre alheia ao que escrevi, com saliva, na tua pele. Nós, enfim sós, retrocedemos no caminho da união, para recordarmos por fim a valsa do desassossego dos corpos e a música que me uniu a ti.
Há areia de praia que não se entranhou, ainda, nos teus cabelos-maré, há água de mar que não banhou, ainda, o teu corpo-ave. Há, em tudo isto, o desejo que se esconde nos teus lábios, e a certeza dos meus, de te encontrar, sempre, antes e depois do sonho. Há um pequeno-almoço, por tomar, no conforto dos teus braços e um bilhete de cinema, a estrear.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

cansaço

Sucumbi às tristezas. Inspiro-me na ausência, talvez num pouco de indiferença. Canso-me das repetições de acção, da repetição do vácuo. Perpetuo a espera de compreensão, precipito-me na solidão. Era até, pensava eu, de mor facilidade alcançar-me. Vejo que não. Aparto-me da realidade, sonho mortes de mim. Quem só sente alegria não quer deixar de ser. E os outros? Pé ante pé, desenho as linhas da separação. Por vezes, demasiadas, gesticulo freneticamente o medo do silêncio, daquele que se insinua antes do real, mais subtil, porém irreversível. Tentei, vou tentando, ainda assim, mostrar-te que, se fechares os olhos, por um segundo que seja, o fantasma da distância percorre o caminho que desconheces. Voo todos os dias para longe. Cada vez com menos certeza do caminho de regresso. Sou, e serei – pensei que o sabias – sempre capaz de interrogar e perceber. Sou, e serei – e tu não o sabes – aquela que se afasta, se não a prenderem.

terça-feira, janeiro 23, 2007

borboleta

Devíamos ter mais borboletas. Construí o castelo onde habitaremos, no próximo sonho de lua nova. Chão de terra molhada, para se entranhar nas unhas e um tecto de céu, salpicado de desejos luminosos. As paredes não existem. Não quero barreiras entre nós e o mundo. Os ventos da mudança, tempestuosos, e a brisa do sossego partirão desta ausência de medo e tijolos.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

In Your Room

In your room
Where time stands still
Or moves at your will
Will you let the morning come soon
Or will you leave me lying here
In your favourite darkness
Your favourite half-light
Your favourite consciousness
Your favourite slave

In your room
Where souls disappear
Only you exist here
Will you lead me to your armchair
Or leave me lying here
Your favourite innocence
Your favourite prize
Your favourite smile
Your favourite slave

I'm hanging on your words
Living on your breath
Feeling with your skin
Will I always be here

In your room
Your burning eyes
Cause flames to arise
Will you let the fire die down soon
Or will I always be here
Your favourite passion
Your favourite game
Your favourite mirror
Your favourite slave

I'm hanging on your words
Living on your breath
Feeling with your skin
Will I always be here

Depeche Mode