quarta-feira, agosto 23, 2006

Interlude - Morrissey (duet with Siouxsie)


Time is like a dream
And now, for a time, you are mine
Let's hold fast to the dream
That tastes and sparkles like wine
Who knows (who knows)
If it's real
Or just something we're both dreaming of
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
Loving you
Is a world that's strange
So much more than my heart can hold
Loving you
Makes the whole world change
Loving you, I could not grow old
No, nobody knows
When love will end
So till then, sweet friend ...
Time is like a dream
And now, for a time, you are mine
Let's hold fast to the dream
That tastes and sparkles like wine
Who knows (who knows)
If it's real
Or just something we're both dreaming of ?
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love
What seems like an interlude now
Could be the beginning of love

terça-feira, agosto 22, 2006

Escrevo para ti. Tacteio palavras-sonho, descalço-me para sentir a terra húmida entre os dedos. Descubro-te em papéis desdobrados, desenho-te contornos em mim. Estás aqui, entre duas vírgulas, dois medos. Agarrei no livro antigo para rasgar mágoas – as folhas já não existiam. Vê pelos meus olhos – só tu consegues. Vê a minha alma colada nas nuvens, o sorriso escondido num gesto, o mundo que cabe nas minhas mãos. E não morri. Estou aqui, onde me descobriste. Acredito-te. Em ti morre a angústia do impossível, em ti o mar que esqueci num barco ancorado.
Estica os dedos para que neles caibam todos os arco-íris deste monstro que trago no peito. Vê-me pelos teus olhos – só tu o consegues. Leva-me pela mão para o chão que eu já não sei pisar, dança comigo a valsa dos inquietos e deixa-me adormecer esta agitação em ti.

segunda-feira, agosto 21, 2006

para ti

Segredei-te ao ouvido os medos do mundo. E tu não fugiste. Comecei então a sonhar. Digo-te que, se alimentarmos um sonho com as ondas do mar e lhe dermos a provar palavras que te desenho com lâmpadas nos dedos, nos vamos perder. E todos os dias abro a janela para o mar – que agora é nosso – entrar. Gosto de te ver para lá da pele, gosto de te saber transparente, como a água que nos deixa um sabor a sal.
E tenho medo. O eterno medo. Mas sinto-te perto, à entrada daquele recanto perdido de mim. E acredito que se abrires as mãos e soltares os desejos, os meus olhos serão os teus. Gosto de saborear a melancolia das palavras que nos cercam. Gosto de te saber aí.
Se nos perdermos seremos felizes. Acredito.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Há um largo em Lisboa onde sonhos se perdem, onde a música é silêncio. Há lentidão nos passos e sorrisos nos olhos quando te afastas. Histórias de alguém em livros perdidos de nós. Histórias nossas e para nos encontrarmos. De novo e sempre.

terça-feira, agosto 01, 2006

you are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinor

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar


Mário Cesariny