Escrevo para ti. Tacteio palavras-sonho, descalço-me para sentir a terra húmida entre os dedos. Descubro-te em papéis desdobrados, desenho-te contornos em mim. Estás aqui, entre duas vírgulas, dois medos. Agarrei no livro antigo para rasgar mágoas – as folhas já não existiam. Vê pelos meus olhos – só tu consegues. Vê a minha alma colada nas nuvens, o sorriso escondido num gesto, o mundo que cabe nas minhas mãos. E não morri. Estou aqui, onde me descobriste. Acredito-te. Em ti morre a angústia do impossível, em ti o mar que esqueci num barco ancorado.
Estica os dedos para que neles caibam todos os arco-íris deste monstro que trago no peito. Vê-me pelos teus olhos – só tu o consegues. Leva-me pela mão para o chão que eu já não sei pisar, dança comigo a valsa dos inquietos e deixa-me adormecer esta agitação em ti.
Estica os dedos para que neles caibam todos os arco-íris deste monstro que trago no peito. Vê-me pelos teus olhos – só tu o consegues. Leva-me pela mão para o chão que eu já não sei pisar, dança comigo a valsa dos inquietos e deixa-me adormecer esta agitação em ti.

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