E quando abriu os olhos, sorriu. A sombra do tempo varreu as folhas douradas, no outro lado do muro. A sombra dos dias entrou pela janela e soergueu, desvendando, a cortina de papel. Sonhos de adolescência em esquissos que esvoaçam pelo chão de mosaicos. E uma vontade. Interminável, incontornável, esquecida. Um pé, descalço, na praia. Uma dança, um voo. Imersão de vida. Analogia de compassos musicais relembrados numa esquina de outro cenário qualquer. Escadas e muros escritos com palavras de alguém que ousou. Verde chão no tecido do casaco de um bem-me-quer não-me-quer. Ruído, contorcido e amarrotado numa caixa de cartão riscado, no lixo ao fundo de mais umas escadas. Degraus de separação. Quantas vezes se ama?

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