sexta-feira, junho 09, 2006

Apetecia-me escrever. Escrever na terceira pessoa, lá, longe de mim. Dizer-lhe que as andorinhas são presságios dos anjos e que o malmequer, a quem tiramos as pétalas, uma a uma com jeitinho, semeiam no chão verde mil malmequeres – e que é por isso que os desfolhamos. Mas estou cá, a escrever para mim, qualquer coisa com nenhum sentido e muitas palavras, que não importam porque se não lesse também vivia e sorria. E ele, retorno hipotético de mim mesma, naquela terra desconhecida, tacteia as letras, uma a uma, rosa, verde, amarelo, estão desenhadas e são apenas desenhos. Bonitos, coloridos e sem sentido, formas que flutuam no imaginário de uma criança. E sorri, ele sorri, porque está sol e as letras são desenhos. E deixá-lo naquele recanto de luz para sempre. Assim, nunca o perderia e os meus sonhos continuariam a ser malmequeres. E escrever na terceira pessoa, não escrevi – sonhei.