coração
Há um bolo em cima da mesa. A um canto os destroços do coração que parti – o meu – para te dar as peças que teimas em perder. Mas ficaste com elas, as que te faltam, as que me fazem, agora em ausência – a tua – falta. Colaste todas, com jeitinho e paciência – a que perdi – unindo tudo ao sabor do tempo que passou. Encontraste, enfim, o sentido com o bater do teu coração, cheio de sangue, cheio de força. Mas o meu, encontrado na mesa onde ardem as velas, está vazio, perdido de sonhos e sangue, que se esvaiu pelos pedaços que lhe arranquei, com o tempo passado. E não vou estar aí quando as velas se apagarem.

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