quinta-feira, dezembro 14, 2006

Ao meu avô

Morreste. E eu gostava que não fosses o sujeito implícito deste verbo. Sou egoísta. Queria-te aqui, eternamente sentado no teu sofá, rodeado de moedas, umas mais velhas que outras, como as memórias que tenho de ti. Queria-te aqui para te visitar, no banco de jardim mais os teus olhos azuis, de céu limpo de Verão. Sorrias sempre, prometias viver mais 10 anos, enquanto contavas histórias da tua infância, pesada de trabalhos, leve na alma doce que tu tinhas.

Falavas do teu amor, da tua justiça e do Belenenses. Eras um verdadeiro Velho do Restelo. Pudera eu ter-te visto partir numa caravela, mar afora, e não submerso pela encosta que te viu viver.

De ti guardo a memória.